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"La Serva Padrona" é um intermezzo composto por Giovanni Battista Pergolesi em 1733. A ópera apresenta Serpina, uma criada astuta e engenhosa que habilmente inverte as dinâmicas de poder na casa, convencendo seu mestre, Uberto, a casar-se com ela.


  • Data: 08-09-2023 09:00 PM
  • Localização N114 6, Gaeiras, Portugal (Mapa)
  • Mais informações: O Festival de Ópera de Óbidos será apresentado na Quinta das Janelas.

Descrição

La Serva Padrona, Intermezzo em dois atos de Giovanni Battista Pergolesi
Libreto de Gennaro Antonio Federico a partir de uma peça homónima de Jacopo Angelo Nelli

Récitas
8 de setembro · 21h00
10 de setembro · 19h00

Ficha artística
Carlos Antunes, encenação
António Carrilho, direção musical
Natacha Costa Pereira, cenografia
Nuno Braz de Oliveira, figurinos
Nuno Esteves (Blue), figurinista em palco
Zeca Iglésias, desenho de luz
Fátima Sousa, caracterização
Ana Paula Menezes, direção de cena

Elenco
Serpina — Carla Caramujo, soprano
Uberto — Luís Rodrigues, barítono
Vespone — João Merino, barítono

José Carlos Araújo, cravo

Orquestra La Nave Va
António Carrilho, direção musical


SINOPSE


Composta por Giovanni Battista Pergolesi em 1733, La Serva Padrona foi apresentada como um surpreendente intermezzo para a ópera Il Prigionier Superbo. Desde a sua estreia no Teatro San Bartolomeo, em Nápoles, que esta obra, pensada para ser um elemento secundário do espetáculo, foi sempre crescendo em popularidade de tal forma que ofuscou a ópera principal que a albergava.

O êxito de La Serva Padrona pode ser explicado pela fusão prodigiosa entre inovação artística e ressonância social. A sua simplicidade narrativa, contraposta às óperas mais densas da época, ofereceu ao público uma história com a qual se podia identificar, pontuada por melodias vivazes e ritmos contagiantes que divergiam significativamente das composições tradicionais. Mas não foi apenas o carácter musical que a catapultou para o sucesso. O humor intrínseco e a maneira como desafiou abertamente as convenções sociais, invertendo papéis hierárquicos tradicionais, tornou-a particularmente atraente numa época de descontentamento social latente. E, ainda que profundamente italiana na sua essência, os temas universais de aspiração social, dinâmicas de poder e sedução asseguraram a sua aclamação além-fronteiras.

No cerne da história, encontramos Serpina, a perspicaz criada (serva) que, com muita astúcia e a ajuda preciosa do seu fiel Vespone, manipula Uberto (o patrão), ao ponto dele admitir que talvez a ame. Serpina consegue assim casar-se com Uberto, tornando- se ela na patroa (padrona) da casa.

Numa época em que as mulheres eram frequentemente marginalizadas, a história de Serpina ressoa como uma chamada à ação. Mais do que uma simples serva, Serpina é um símbolo de vontade, manipulando as convenções sociais e desafiando o status quo. Por outro lado, Uberto é retratado de forma caricata e facilmente manipulável, desafiando o arquétipo masculino da época.

Por tudo isto, não é de todo desprovido pensar-se em commedia dell'arte quando ouvimos La Serva Padrona, sobretudo se atendermos à utilização de personagens estereotipados e situações caricatas. A perspicácia de Serpina remete-nos a personagens como Colombina, enquanto Uberto tem traços do Velho Pantalone. Ambos exploram o humor para satirizar as convenções sociais.

Em resumo, La Serva Padrona não foi apenas uma manifestação da genialidade de Pergolesi, mas também um reflexo agudo das sensibilidades e anseios da sua época.


SOBRE O FESTIVAL


Ressurgimento do FOO

O Festival de Ópera de Óbidos, que marcou toda uma geração de profissionais e melómanos, esteve inativo nos últimos anos. A ABA - Banda de Alcobaça, Associação de Artes, na sua candidatura ao Apoio Sustentado da Direção Geral das Artes para o período 2023–2026, afirmou como um dos seus objetivos o ressurgimento deste festival, estabelecendo para o efeito uma parceria estratégica com o Município de Óbidos. Com esta parceria, pretende-se dar uma nova vida ao Festival de Ópera de Óbidos dotando-o de condições para que possa ambicionar um futuro sustentável e com capacidade de crescimento, contribuindo para colocar Portugal no circuito global de ópera.

Relevância

O Festival de Ópera de Óbidos pretende posicionar Portugal no circuito global da ópera através de parcerias estratégicas nacionais e internacionais e da participação de artistas de renome. Temos a ambição de transformar Óbidos num laboratório de ideias criativas nos campos da encenação, interpretação musical e ligação aos públicos, bem como um espaço para a descoberta e afirmação de talentos, dotando este Festival de uma ambição internacional que se deve projetar no Futuro do mesmo, fazendo de Portugal um centro de produção e circulação de ópera com alcance global, atraindo um público internacional e impulsionando o turismo cultural, deixando uma marca indelével no panorama operístico.

As atividades do Festival estendem-se desde Agosto, ainda em Lisboa e no Porto, onde decorrerão ensaios e os trabalhos de preparação das óperas, até meados de Setembro, altura em que serão apresentados os espetáculos.

A Quinta das Janelas

O espaço escolhido para acolher as atividades do Festival de Ópera de Óbidos é a Quinta das Janelas. Situada em Vale das Flores e a poucos metros do Convento de São Miguel, a sua construção remonta aos princípios do século XVI, incorpora a antiga Quinta das Flores (onde a Rainha D. Leonor ficava quando se deslocava às Caldas). Um local mágico e cheio de história que inclui um Palacete do século XVI, um conjunto de lagares, adegas, um picadeiro e um chafariz. Nesta quinta podemos ainda ver a Capela da Nossa Sra. do Desterro e uma nascente de águas sulfurosas (antigamente denominadas Caldas das Gaeyras) as quais são aproveitadas numa casa simples, coberta com uma abóbada, tendo no seu interior um tanque.


COMO CHEGAR


Plus Code: 9VC5+HGR Gaeiras
GPS: 39.371495, -9.141227

Desde a A8 – Autoestrada do Oeste
Na A8 sair na saída n.º17 (no sentido Sul–Norte indicação “N8 / Caldas da Rainha Sul / Gaeiras” e no sentido Norte–Sul indicação “N8 / Óbidos / Gaeiras). Seguir pela N8 / N114 na direção Óbidos / Gaeiras e, na rotunda do “Recheio - Cash and Carry” sair na 3ª saída na direção “Óbidos”. Cerca de 350 metros após a rotunda encontrará a indicação para a entrada do festival à sua esquerda.

Desde Óbidos
Tomando como ponto de partida a Estátua da Mão, na Praça da Criatividade, desça até à rotunda, deixando para trás as muralhas de Óbidos. Saia na 2ª saída (N8 / Caldas da Rainha) e siga pela N8 / N114 cerca de 2 quilómetros. Irá passar pelo Santuário do Senhor da Pedra, pela localidade de Caxinas, em Casal do Zambujeiro encontrará a indicação para a entrada do festival à sua direita.


BILHETEIRAS


Os bilhetes para o Festival de Ópera de Óbidos estarão disponíveis em blueticket.meo.pt e em dois postos de venda físicos: no Posto de Turismo de Óbidos (todos os dias) e na Quinta das Janelas (apenas nos dias dos espetáculos).

O Posto de Turismo de Óbidos encontra-se junto ao Parque de Estacionamento principal, na zona extra-muros, a cerca de 200 metros da entrada da vila de Óbidos.


Para mais informações sobre Óbidos e sobre o Festival, poderá visitar o website oficial do municípios de Óbidos.


Sobre os autores


Da Música

Giovanni Battista Pergolesi

(1710-1736)

Historia de un ignorante, ma non troppo… Stabat Mater, de Pergolesi ...

Foi um dos mais influentes compositores italianos do século XVIII, conhecido pela sua habilidade em conjugar emoção e dramatismo na música. Apesar da sua vida curta, as suas obras tiveram um impacto significativo na evolução da ópera. Destaca-se particularmente "La Serva Padrona", uma das suas composições mais emblemáticas e influentes.

Nascido em Jesi, Itália, Pergolesi mostrou desde cedo um talento natural para a música. Estudou violino e composição no Conservatório dei Poveri di Gesù Cristo em Nápoles, onde mais tarde viria a ensinar. A sua carreira, embora curta devido à sua saúde frágil e à sua morte precoce por tuberculose aos 26 anos, foi prolífica e marcou o período Barroco.

"La Serva Padrona", uma intermezzo em dois atos escrita em 1733, é frequentemente considerada a obra-prima de Pergolesi. A história centra-se numa criada astuta, Serpina, que manipula o seu patrão, Uberto, para que este a tome por esposa. Esta peça é notável pela sua simplicidade e economia de meios, com apenas dois cantores, dois personagens e um enredo simples, mas cheio de humor e humanidade. É aqui que Pergolesi brilha, criando personagens vivas e credíveis através da sua música, e contribuindo para a transição do estilo barroco para o estilo clássico na ópera.

Pouco se sabe sobre a vida pessoal e amorosa de Pergolesi, devido à brevidade da sua existência e à escassez de registos. No entanto, a sua música, particularmente em obras como "La Serva Padrona", revela um profundo entendimento das emoções humanas e das complexidades das relações interpessoais.

Pergolesi contribuiu imenso para a ópera. Em "La Serva Padrona", a sua abordagem inovadora, utilizando o intermezzo - uma forma dramática mais curta e ligeira - como um veículo para uma comédia de caracteres, inspirou a nova forma de ópera buffa, que viria a dominar a segunda metade do século XVIII. O seu estilo elegante, directo e expressivo marcou a passagem do Barroco para o Clássico e influenciou compositores como Johann Sebastian Bach, que adaptou parte da sua música.

Pergolesi compôs também uma série de outras óperas, como "L'Olimpiade" e "Il Prigionier Superbo", bem como música sacra, incluindo o tocante "Stabat Mater".

Pergolesi deixou um legado que vai além do seu breve tempo de vida. A sua habilidade para capturar a essência da emoção humana na música, o seu senso de humor e a sua inovação dramática são evidentes nas suas obras e continuam a influenciar a ópera até hoje.

Das Letras

Gennaro Antonio Federico

(    -1744)

Um dos mais notáveis libretistas da Nápoles do século XVIII. De profissão advogado, ele dedicou-se igualmente à escrita de libretos na sua cidade natal, produzindo tanto comédias em prosa como libretos para composições sacras, óperas cómicas e intermezzi.

Nascido em Nápoles numa data desconhecida e falecido na mesma cidade em 1744, Federico desempenhou um papel importante na transição da ópera cómica napolitana, que deixou o uso do dialeto (típico da commedia dell'arte) para adotar uma linguagem mais italianizada.

As suas obras mais conhecidas são o libreto para "Lo frate 'nnamorato" de 1732 e o intermezzo "La serva padrona" de 1733, ambos postos em música por Giovanni Battista Pergolesi. A sua ópera buffa "Amor vuol sofferenza", musicada por Leonardo Leo, também foi muito bem-sucedida.

Federico, juntamente com Francesco Antonio Tullio, é geralmente considerado um dos principais libretistas da escola napolitana da primeira metade do século XVIII. A sua habilidade para criar libretos cativantes e divertidos desempenhou um papel crucial na evolução da ópera italiana, particularmente no género da ópera buffa. As suas obras, particularmente "La serva padrona", tiveram um impacto significativo no desenvolvimento da ópera, e continuam a ser celebradas pela sua inteligência, humor e compreensão profunda da natureza humana.


Quer saber ainda mais?

Então acompanhe as notícias da ProART sobre este Festival:

LA SERVA PADRONA: DA COMMEDIA DELL'ARTE À CRÍTICA SOCIAL